Em eventos de campanha no Rio, Lula defende prender criminosos, e Flávio fala em ‘guerra’ ao crime

Lula defendeu uma estratégia de combate ao crime com foco na prisão de criminosos e na retomada de territórios ocupados. Já Flávio Bolsonaro afirmou que pretende declarar guerra aos ‘narcoterroristas’ e deu prazo até dezembro para que deixem o país.

Resumo:

  • Neste sábado (22), Lula e Flávio Bolsonaro apresentaram propostas para a segurança pública em eventos de campanha no Rio. Ambos defenderam ações de combate ao crime.
  • Lula propôs ampliar a atuação federal na segurança pública e recriar o ministério do setor. Ele também prometeu expandir o ensino em tempo integral.
  • Flávio Bolsonaro defendeu classificar facções como narcoterroristas e propôs castração química para estupradores. Ele também defendeu anistia para condenados pelos atos de 8 de Janeiro.
Em campanha simultânea no Rio, Lula defende prender criminosos; e Flávio fala em ‘guerra’ ao crime — Foto: Reprodução

Os candidatos à Presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) defenderam suas propostas para segurança pública durante campanha simultâneas realizadas neste sábado (22), no Rio.

O petista afirmou que, se reeleito, vai retirar as facções criminosas, devolver os territórios do Rio de Janeiro ao povo do estado e prender criminosos.

“Não vamos fazer carnaval, pirotecnia, matar 100 ou 200 [criminosos]. Nós vamos prender. Vamos falar a vila é do povo, a escola é do povo, a padaria é do povo. Não é dos bandidos. Isso vamos fazer”, disse no estádio do Bangu, na Zona Oeste da capital fluminense.

O candidato lembrou que enviou ao Congresso uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que amplia a participação da União na segurança pública e afirmou que, se o texto for aprovado pelo Senado, pretende recriar o Ministério da Segurança Pública e ampliar a preparação das polícias Federal (PF) e Rodoviária Federal (PRF).

Já Flávio Bolsonaro afirmou que, caso seja eleito, pretende classificar facções como Comando Vermelho e PCC como grupos narcoterroristas, proposta que consta no plano de governo registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

“Eu não vou baixar a cabeça para bandido. Já tô avisando: marginais, narcoterroristas, vocês têm até dezembro desse ano para meter o pé do Brasil, porque, a partir de janeiro do ano que vem, nós vamos declarar guerra aos narcoterroristas”, disse Flávio.

Em evento de lançamento da candidatura de Douglas Ruas ao governo do Rio, no Maracanãzinho, ele também defendeu uma política de enfrentamento às organizações criminosas a partir do próximo ano.

Lula também fala em custo de presos

Durante o evento, Lula afirmou que pretende ampliar a atuação federal na segurança pública e citou os custos do sistema penitenciário para defender uma mudança na estratégia de combate ao crime. Segundo o candidato, um preso em uma unidade de segurança máxima custa R$ 40 mil por ano, enquanto o custo em uma cadeia comum de São Paulo seria de R$ 35 mil.

“O tal do Fernandinho Beira-Mar custa o dobro do que formar uma menina médica ou um menino engenheiro”, afirmou Lula, em referência ao traficante Luiz Fernando da Costa.

Além da segurança pública, Lula dedicou parte do discurso a propostas para a educação. O candidato prometeu ampliar o ensino em tempo integral para todas as escolas públicas do país e continuar a expansão dos institutos federais. Também citou programas como Prouni e Fies.

O petista também apresentou propostas para a indústria e tecnologia. Lula defendeu que o Brasil desenvolva a cadeia de produção de minerais críticos e terras raras, em vez de apenas exportar esses recursos.

Ele também prometeu ampliar investimentos em inteligência artificial e defendeu o desenvolvimento de uma tecnologia adaptada ao português e às necessidades brasileiras.

Pedro Paulo, Benedita, Lula e Eduardo Paes em Bangu. — Foto: Divulgação PSD-RJ

Flávio critica uso de drones por criminosos

Durante o discurso no Maracanãzinho, Flávio Bolsonaro também criticou o avanço da atuação das organizações criminosas e citou o uso de drones com bombas. O candidato afirmou que crianças estariam sendo treinadas para operar os equipamentos.

“Eu soltava pipa quando criança. Hoje estão sendo criadas e treinadas para usar drones com bomba. Só falta ter que comprar guarda-chuva blindado”, disse.

O candidato do PL também apresentou propostas relacionadas à legislação penal. Flávio afirmou que pretende reduzir para 14 anos a maioridade penal em casos de estupro e defendeu a castração química para estupradores e abusadores de mulheres e crianças.

“As mulheres serão protegidas. Nós vamos aprovar a castração química para estupradores e abusadores de mulheres e crianças. Ah, mas o Flávio é radical. Não gostou, vota no defensor de bandido”, afirmou.

Ao pedir votos para Carlos Jordy e Portinho, candidatos do PL ao Senado pelo Rio, Flávio afirmou que pretende contar com os dois no Congresso para aprovar propostas defendidas por sua candidatura. Entre elas, citou uma anistia aos condenados pelos atos de 8 de Janeiro.

Flávio Bolsonaro do Maracanãzinho no lançamento da candidatura de Douglas Ruas — Foto: Reprodução

Outros candidatos neste sábado

Renan Santos (Missão) iniciou a campanha deste sábado (22) com foco em segurança pública. O candidato, que chegou à Faculdade de Direito da USP usando um colete à prova de balas, afirmou que, se eleito, adotará uma postura de enfrentamento contra o que chamou de “inimigos da nação”.

Durante o discurso, também criticou Lula e Flávio Bolsonaro e disse que o país não pode ficar “refém” dos dois.

Já Romeu Zema (Novo) defendeu uma nova reforma da Previdência e afirmou que poderá ser necessário aumentar o tempo de contribuição para quem está entrando agora no mercado de trabalho, acompanhando o aumento da expectativa de vida.

O candidato disse que a mudança deveria ser planejada para evitar novas reformas no futuro.

Fonte: G1

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